The winter is almost gone

"A questão da vida e da morte é a mais importante de todas e o tempo passa rapidamente.
Não desperdice sua vida em vão. " Mestre Dogen - Sec. XIII

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

UFMG 85: 30 Anos esta Noite



No filme de Louis Malle, um homem angustiado e perdido deixava um hospital, onde fazia um tratamento contra o alcoolismo, e percorria bares de Paris à procura de velhos amigos, em uma busca de si mesmo na reconstituição do passado.
Lembrei-me imediatamente do filme ao pensar em postar sobre o encontro de 30 anos de formados de minha turma da Medicina, comemorado neste final de semana em Tiradentes, e ao qual não poderei comparecer.

Na verdade, meus colegas estarão relembrando mais de 30 anos de convivência, dos quais os mais emocionantes terão sido sem dúvida os 6 anos do curso médico. Os anos de formação são fundamentais para os adultos e profissionais que somos, e a minha turma da Medicina, especialmente minha ˜Turma de 10", teve e tem um papel fundamental na minha vida.

A tarefa de reviver mais de 30 anos em um final de semana é sem dúvida pouco exequível. Mas com certeza bastarão pequenos flashes trazidos pela frase "lembra quando"...Já posso ouvir as risadas que se seguirão. E é isso que desejo aos meus colegas: as melhores lembranças de alguns dos melhores anos que vivemos, e que sejam capazes de trazer à tona o melhor de nós, na figura daqueles jovens que queriam tanto aprender,  que queriam abraçar esta missão tão nobre  e difícil e ainda ser os melhores médicos que pudessem ser. A eles, a quem fomos, nosso brinde e nosso muito obrigado.

Como no filme de Malle, são os outros que nos ajudam a nos lembrarmos de nós mesmos. 

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Para Tokuda San: Gasshô!

Ontem vivi mais um momento muito especial: meu primeiro encontro com Tokuda San, ou Mestre Tokuda (vejam um pouco da enorme importância dele para o zen no Brasil na nota abaixo deste post).
Mestre Tokuda está no Brasil visitando os templos que fundou e especialmente para a comemoração dos 30 anos do Templo Zen Pico de Raios, em Ouro Preto.
Mestre Tokuda é especialista em Medicina Búdica, baseada na Tradicional Chinesa, e tive a oportunidade rara de ser examinada por ele. Não devo dar detalhes desta consulta, mas basta dizer do privilégio de receber de um Mestre deste porte toda uma atenção especial ao meu momento físico e espiritual ao mesmo tempo. Como dizemos no zen, uma reverência com as mãos em prece. Gasshô, Tokuda San. Gashô, Simone Keisen San, por mais esta dádiva do zen em minha vida.




Nota: O monge Tokuda nasceu em Hokkaido, norte do Japão, em 1938. Diplomou-se em filosofia Budista pela Universidade de Komazawa, em Tóquio, em 1963. Em 1968 veio da Escola Soto Zen para o Brasil como missionário para a América Latina, com indicação do Mestre Shingu Roshi (primeiro superior para a América Latina). Em 1981, o monge Tokuda fundou o Instituto de Medicina Búdica Nonindô em Belo Horizonte, Minas Gerais. Em 1984 fundou o Mosteiro Zen Pico de Raios e o Centro de Cultura Oriente-Ocidente na cidade de Ouro Preto, também em Minas Gerais. Em 1993 fundou o Centro Zen do Planalto, em Brasília. Em 1994 o Mosteiro Serra do Trovão em Lavras Novas em Minas Gerais. Paralelamente, desde 1985 mantém grupos de prática Zen na Europa, principalmente na França, além de ministrar cursos e palestras sobre assuntos variados, como Budismo, Zen, Como Formar Lideranças (assunto de um próximo livro) e Medicina Búdica por todo o mundo. Em 1995 fundou a Association Mahamuni de Paris. Em 2000 fundou o Mosteiro Eitai-ji, situado nos Alpes da Haute Provence, perto de Nice, no sul da França. Em 2001 fundou o Mosteiro Serra dos Pirineus (Eisho-ji) e outros projetos educacionais e ambientais em Pirenópolis, Goiás, com nascentes de água pura, que abrigará um guia ecológico para o próximo milênio, uma escola de medicina Búdica e um Mosteiro projetado para se integrar com o ambiente do cerrado e um Spa Zen.Visite também o site tokuda-igarashi.com.
Fonte: Mosteiro Zen Horyu-Zan Eisho-Ji de Pirenópolis, Go http://eishoji.com.br/mestre-tokuda/

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Para a França: Minha pátria adotiva





Como saber se é coisa de outras vidas ou desta vida? Vaninho diria que talvez eu tenha sido Maria Antonieta. Eu preferiria Joana D'Arc...O fato é que amo a França, especialmente Paris. Amor de verdade, daqueles em que a gente ama mesmo apesar (ou por causa) dos defeitos do ser amado

Eu tinha feito um "compromisso", inspirado pela Danuza Leão em uma de suas autobiografias, de ir a Paris todos os anos. E vinha cumprindo. Mas agora não faço mais planos, apenas elaboro sonhos. Então vamos lá: sonho que ainda estarei em Paris com meu cachorro Marlon Brando (sim, aquele do "Último Tango"), não por acaso um buldogue francês. Estaremos passeando pelas margem esquerda do Sena, rumo à Île de Saint-Louis (onde estaremos hospedados, naturalmente) e daremos nossa passadinha básica pela Shakespeare and Company.

Sonhar, às vezes, é melhor que viver. Sintam-se convidados.



PS: Descolei o filme Ratatouille para treinar meu francês, daí este post. Existe em Paris um interessante circuito do filme, o qual ainda não fiz: http://www.conexaoparis.com.br/2007/08/11/o-circuito-do-filme-ratatouille-em-paris/. A loja Aurouze, no Les Halles, vende produtos para exterminação de ratos e outros animais "nocivos". A vitrine mostra ratos e outros bichos empalhados suspensos em barras de ferro. O proprietário assinou contrato com os produtores para que a loja pudesse ser reproduzida no filme e hoje ela virou ponto principal do circuito.
Aurouze – 8 rue des Halles 75001 Paris


domingo, 30 de agosto de 2015

Para Suzane: As pontes que nos unem



Algumas vezes já defini a Leuka como a "mulher do poste", aquela que traz a pessoa amada em sete dias...Uma das pessoas amadas que a Leuka me trouxe foi a Suzane. Depois de décadas de amizade, nos afastamos meio sem saber por quê. Coisa das nossas vidas desatentas ao essencial, aquele invisível para os olhos.

E hoje ela me fez uma visita agradabilíssima, a qual passamos, como antigamente, apenas pelo prazer da companhia. E, claro, assistimos de novo "As Pontes de Madison", com direito a lágrimas e suspiros pelo Robert Kincaid/Clint Eastwood. Quem nunca...

Em homenagem a nós, posto a música tema do filme, Doe Eyes. Autoria do próprio Clint. Sorry, boys...

Para Oliver Sacks: Obrigada por tudo e descanse em paz


Oliver Sacks, o neurologista e autor aclamado que escreveu best-sellers como : "O Homem que Confundiu sua Mulher com um Chapéu", usando as condições médicas de seus pacientes como pontos de partida para meditações sobre a consciência e a condição humanas, acaba de falecer neste domingo em sua casa em Nova Iorque. Ele tinha 82 anos e morreu de câncer. Como médico e como escritor, Dr. Sacks atingiu um nível de popularidade bastante incomum entre cientistas. Mais de um milhão de cópias de seus livros foram publicadas nos Estados Unidos e parte do seu trabalho foi adaptado para o teatro e para o cinema.

Em fevereiro último eu ainda nem fazia idéia de que estaria também doente hoje, mas fiquei muito impactada por seu artigo no New York Times "My Own Life: Oliver Sacks on Learning He Has Terminal Cancer". Seu artigo é muito inspirador, e nele há esta frase: "Só depende de mim escolher como viver os meses que me restam. Eu devo vive-los da maneira mais rica, profunda, mais produtiva que eu puder."Ele cita o filósofo David Hume, que, ao se descobrir com uma doença grave aos 65 anos, escreveu uma pequena autobiografia em um único dia de abril de 1776, intitulada "My Own Life": "Eu agora encaro uma dissolução acelerada, na qual sofro muito pouca dor , e, o que é mais estranho, apesar do declínio físico, não sofri um momento de abatimento do meu espírito. I possuo o mesmo ardor para o estudo, e a mesma jovialidade na companhia das pessoas." "É difícil estar-se mais desapegado da vida do que estou neste momento."

Continua Sacks: "Ao longo dos últimos dias, eu tenho sido capaz de ver a minha própria vida como se de uma grande altitude, um tipo de paisagem, e sou tomado um profundo senso de conexão entre as suas partes. Contudo, isto não quer dizer que eu sinto que minha vida já tenha finalizado. Ao contrário, eu me sinto intensamente vivo, e eu desejo e espero, no tempo restante, aprofundar minhas amizades, dizer adeus àqueles que amo, escrever mais, viajar se tiver forças, e atingir níveis mais altos de compreensão e insight." Amém.

Obrigada por sua inspiração, descanse em paz, Oliver.




sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Para Ulisses: Nosso menino em Lissshhhboa

Como este blog precisa ser escrito com o coração, dias sem grandes emoções não "rendem"assunto. E eis que hj me deparei com a foto do Bernardo, filho do Ulisses e da Bruna, na Praça do Príncipe Real, em Lisboa.
Outro dia me surpreendi com a Festa de 15 anos do Lab Rede e foi aí que nossa amizade começou, desenvolvendo um projeto a "seis"mãos, juntamente com o Evandro. Era um sonho, nosso idealismo, criar um laboratório simples mas bonito, moderno mas igualitário em seus conceitos. Bem afinado com os idealistas de esquerda que fomos, quando ainda se podia sonhar com igualdade e fraternidade no Brasil. 
Muitas e muitas águas depois, veio Ulisses a minha casa e fez um projeto de barras de apoio e de suportes de sabão e de álcool gel, muito necessários nesta minha nova etapa. E não só projetou, como foi à loja e comprou barras e suportes bonitos, sem cara de hospital, conforme a minha encomenda... Êta cliente chata... Não satisfeito, não aceitou reembolso e zarpou para Lisboa com a família para quatro anos de doutorado.
Desta forma, só me resta ficar aqui acompanhando de longe o seu enorme talento e sua rara inteligência dotada de coração, assistindo o Bernardo crescer e torcendo para que o Brasil mereça a sua volta. Ora poish poish, menino Ulisses, cá tens uma amiga....

Foto de Lisboa postada pelo Ulisses em seu ˜Caralivro"


terça-feira, 25 de agosto de 2015

Enjoy Yourself (It's Later Than You Think)



Todos dizem Eu te Amo é um Woody Allen "menor"de 1996. Um musical estranho com não cantores no qual a musica irrompe sem quê nem para quê. Como em todo bom musical, aliás. Um clássico.